FILOSOFIA

Falando sobre o tabu de “dar um tempo” na relação.

Mulheres Que Correm Com Os Lobos; Mitologia; E meu achomêtro.

Quem aqui já passou, ou passa por essa situação de ter que lidar com a seguinte informação: “Querido(a), precisamos dar um tempo…“?

Podendo essa justificativa ser “para me conhecer melhor“, ou seja o que for, esse é um tema que costuma atormentar e suscitar diversas questões internas em um ser humano.

Lá vou eu me aventurar, e começarei comentando sobre os diferentes sentidos da palavra tempo em si.

Tipos de significados para a palavra tempo.

Tempo histórico (Cronos): essa noção de tempo, geralmente é ancorada em alguma convenção social. Por exemplo, um documento que registre que estamos no século 21, ou que determine que hoje é quinta-feira, e que amanhã seja dia dos namorados. Esse calendário imaginário é isso. Tem a função de organizar e nos ajudar a planejar a nossa vida baseada nessa construção coletiva imaginária.

Tempo biológico ou celular: neste sentido, a questão do tempo não é criada por convenções sociais. Mas quem dita esse ritmo é o nosso próprio corpo. Por exemplo, uma pessoa entediada pode dizer para si mesma olhando para a parede que o tempo não está passando. Mas pera lá um pouquinho, o tempo está passando sim, nossa fisiologia celular está em constante transformação, mesmo que sintamos que nada está mudando. Vamos perdendo a elasticidade de nossa pele, e o que podemos fazer no máximo é retardar esse processo, hoje por meio de cirurgias estéticas.

Tempo psicológico: já este é influenciado pelo tanto de coisas que temos em nossa cabeça que pode nos deixar ansiosos vendo que supostamente o tempo está passando devagar demais. Voltemos para a situação da pessoa que está entediada e recebe o telefonema de uma oportunidade de trabalho, e ela é informada que deve estar no outro lado da cidade em meia hora. Esse tempo que para ela estava passando arrastado, agora sua sensação é que passará depressa demais.

Tempo físico: quando você olha para uma estrela, pode ser que ela não esteja mais lá. Isso acontece porque até a velocidade da luz chegar aos nossos olhos existe um certo delay, que faz com que o tempo se torne nesse caso relativo. Sendo presente para nós algo que já é passado, dependendo de onde o objeto observado se encontra.

Tempo sociológico: aqui o contexto do lugar em que você está tem influência. Se você é um paulistano, a forma com que você se relaciona com o tempo provavelmente é diferente da forma de um morador de uma praia isolada, onde tempo por lá passa devagar. Isso acontece porque esse significado de tempo depende dos vínculos materiais que estão associados ao seu cotidiano.

Tempo Kairós: na mitologia grega, Kairos era filho do Cronos, sendo ele o deus das estações ou oportunidades. O que expressava uma ideia contrária de seu pai. Outra forma prática de se entender esse significado é se questionar: “por quanto tempo dura um novo corte de cabelo?” essa resposta é subjetiva que esse tipo de tempo nos entrega.

Ainda sobre o Kairós, agora dentro da teologia, o tempo de Deus (O Eterno) está associado a essa noção de tempo, pois está escrito na Bíblia Cristã que: “(…) um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia” (2 Pedro 3:8)

Legal, Mateus, mas e ai? Qual é o tipo de tempo que estou vivendo com minha cremosa ou meu crush?

Bom, no próximo tópico falarei mais sobre “o pedido de tempo” dentro da vida como ela é.

O tempo não para.

Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não para
Não para, não, não para

trecho de canção de Cazuza chamada “O tempo não para”.

Tenho uma amiga que me dizia que “quem pede tempo é relógio“. Risos.

Bom, minha opinião direta, que está longe de ser canônica ou categórica, é que em uma relação onde um ama o outro, dificilmente alguém decide correr o risco de perder esse diamante que encontrou.

Além das experiências pessoais que vivi, apoio meu pensamento no best-seller Mulheres Que Correm Com Os Lobos da autora Clarissa Pinkola. Segue imagem do trecho em destaque:

trecho das notas do livro Mulheres que Correm Com Lobos de Clarissa Pinkola.

Imagine que você está com sua parceira (o) vendo um filme. E um dos dois decidem firmemente dar pause, mas o outro(a) não quer que esse pause seja dado. Bom, as opções que restam neste controle para essa pessoa contrariada são duas: voltar para trás, ou avançar para frente.

Conheço muitos e muitas que optam em viver voltando para trás enquanto está nesse pause. Ficam rememorando e rememorando lembranças. Desde bons e únicos momentos, à culpas de possíveis erros que pode ter cometido e poderiam ter motivado que seu companheiro(a) optasse pelo pause.

Mas engana-se quem ache que tudo está de fato em pause. Como vimos, o mundo roda e nosso corpo biológico se transforma quer queiramos ou não. Estamos a todo momento criando novas lembranças e sinapses.

Neste caso, é recomendável que prestemos atenção em como nos comportamos nesse suposto período de pause. Recorro novamente a Bíblia para citar trechos de uma famosa passagem que está em Eclesiastes 3:

“Para tudo há uma ocasião certa;
há um tempo certo para cada propósito
debaixo do céu:

tempo de chorar e tempo de rir,
tempo de prantear e tempo de dançar,

tempo de abraçar e tempo de se afastar,

tempo de procurar e tempo de desistir,
tempo de guardar
e tempo de jogar fora,

tempo de calar e tempo de falar,

tempo de amar e tempo de odiar,
tempo de lutar e tempo de viver em paz.”

Creio que aprender a contar nossos dias seja uma atitude sábia.

Não permitir que tudo ocorra de modo automático ou deixar nosso tempo de vida à mercê do tempo de terceiros seja um bom desafio.

Ter a coragem para se esforçar em ser o protagonista de sua própria vida e não permitir que seu tempo fique supostamente travado, sendo que na realidade ele nunca esteve parado.

O tempo não para, e é libertador ter forças para viver dessa forma.

Será que as vezes não precisamos colocar um ponto final, onde insistimos sozinhos colocar uma virgula?

Série Friends, onde os personagens Rachel e Ross vivem o drama da pausa.

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